O sistema muscular do corredor está constituído principalmente
por fibras do tipo I, também chamadas de vermelhas ou lentas. Estas
fibras têm uma grande vascularização e são muito resistentes à
fadiga. Também se constatou que abundam as fibras do tipo II
(brancas ou rápidas), concretamente as de subtipo IIA que, apesar
de serem rápidas são resistentes à fadiga de não muito longa
duração. Estas são um apoio importante para as fibras lentas porque
ajudam no reforço em acções importantes de certa intensidade na
corrida como as mudanças de ritmo, subida de encostas, etc.
As fibras musculares melhoram as suas condições estruturais
perante estímulos de uma intensidade considerável e por isso deve
realizar-se periodicamente exercícios de intensidade suficiente
para provocar as adaptações pertinentes para um maior rendimento
desportivo do corredor.
O ginásio é um complemento ideal na preparação do corredor. Bom
exemplo disso são os benefícios que te resumimos:
- Aumenta a funcionalidade das fibras musculares nas diversas
contracções: ao levar ao extremo das suas possibilidades os
distintos componentes contracteis dos sarcómeros das fibras
musculares, gera-se maior eficácia contráctil.
- Melhora a coordenação intramuscular e intermuscular: as
diferentes fibras musculares e os diferentes grupos musculares
implicados no movimento cíclico da corrida contraem-se em
simultâneo no momento em que é necessário gerar mais força e
eficácia.
- Desenvolve a força dos músculos impulsores: a ganância da
força dos músculos implicados no impulso gera uma maior velocidade
de deslocação. Assim, melhora-se uns milímetros em cada movimento,
conseguindo-se ganhar bastante numa distância longa com o mesmo
esforço aparente.
- Trabalha angulações musculares minguadas durante o movimento
da corrida: quando corremos realizamos um movimento cíclico de
maneira muito repetitiva, trabalhando os músculos com uma angulação
limitada nas suas contracções o que faz com que atrofiem numa parte
e não desenvolvam todo o seu potencial. Por isso, ao fazermos um
trabalho de musculação incidiremos nesses ângulos mortos melhorando
assim a funcionalidade muscular no movimento da corrida.
- Fortalece as fibras musculares tornando-as mais fortes: ao
expor o músculo a cargas elevadas e de curta intensidade fazemos
com que as fibras musculares ganhem em firmeza e força. Com isso,
ganhamos em rendimento e prevenimos as lesões.
- Tonifica os tendões prevenindo as tão temidas tendinites: os
trabalhos musculares diferentes potenciam não só as fibras
musculares como fortalecem as uniões dos músculos ao osso,
prevenindo a tendinite de Aquiles ou da Fáscia Lata.
- Melhora a capacidade de velocidade: ao melhorar a força
muscular o corredor terá mais velocidade o que é necessário para
acções inesperadas na corrida como as encostas, as saídas, as
chegadas, etc.
- Tonifica músculos atrofiados e desenvolve a musculatura de
forma harmoniosa: na corrida quase não se trabalha o trem superior
pelo que um estímulo para os bíceps, tricípites, ombros, peitorais
ou dorsais será de grande ajuda para compensar desequilíbrios.
- Oferece variedade ao treino: ao mudar de cenário e realizar
exercícios novos, o corredor fica mais motivado e consegue render
mais nos treinos de corrida
- Melhora a técnica do corredor: quando se têm maiores níveis de
força muscular é mais fácil realizar movimentos técnicos
correctamente. Normalmente, quando temos uma debilidade muscular,
na técnica geram-se vícios e defeitos que, a longo prazo, provocam
problemas.
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