Que bebidas
consumir durante o exercício
1.-
Composição adequada da bebida
a.-Importância do
sódio
O sinal mais intenso para a
estimulação da sede é a quantidade de sódio no sangue. Quando a
reidratação é realizada apenas com água, o sangue dilui-se
rapidamente, a osmolaridade baixa e a vontade de beber desaparece
antes de realizar uma correcta hidratação. Para além disso provoca
um aumento da produção de urina, o que elimina a água ingerida.
Adicionar sódio à bebida cumpre duas funções: mantém o estímulo da
sede (uma vez que não baixa a osmolaridade) e favorece a retenção
de líquido a nível renal. Também é importante ter em conta que o
electrólito que se perde em maior quantidade com o
suor é o sódio (entre 40-60 mmoles/L em comparação com os
4-8mmoles/L de potássio.
Como consequência de uma má estratégia de hidratação pode
produzir-se uma intoxicação aquosa com hiponatremia
(descida do sódio no sangue).
Este fenómeno foi descrito
em competições de longa
duração, em que os participantes ingerem um excesso de líquido sem um
aporte suficiente de sódio. Os sintomas consistem
em cefaleia náuseas, vómitos, debilidade, cãibras, desorientação,
linguagem incompreensível, etc.
De
forma geral, as bebidas destinadas a pessoas que realizam exercício
físico contêm 15-25 mmol/L de sódio (o que corresponde a
40-60 mg de …). Esta concentração pode ser aumentada até 25-40
mmol/L (60-90 mg de sódio por 100 ml de bebida).
b.-
Importância dos hidratos de carbono (hc)
Acrescentar hidratos de carbono
às bebidas permite uma absorção mais rápida da água e do sódio,
para além de atrasar o consumo do glicogénio muscular, adiando o
aparecimento da fatiga. O tipo de
açúcar incorporado também é importante. Enquanto a glicose,
a sacarose, as maltodextrinas e o amido não parecem apresentar
diferenças quanto ao rendimento, a utilização exclusiva de frutose
pode provocar alterações intestinais e dificultar a absorção de
água, já que a sua absorção é realizada por transporte passivo e na
parte final do intestino delgado. Também é preciso ter em conta que
as maltodextrinas têm um sabor menos doce que a sacarose e a
frutose. Uma quantidade demasiado elevada de hidratos de carbono
pode provocar alterações digestivas e extrair momentaneamente água
dos músculos e da pele. Por outro lado, uma concentração baixa de
hidratos de carbono pode ser insuficiente. Como tal recomenda-se a
ingestão de líquidos com um conteúdo mínimo de 2%, embora para um
óptimo rendimento seja aconselhado mais de 4% e menos de 10% de
hidratos de carbono.
Em resumo, a glicose estimula a absorção de água e o
sódio e é necessário para o transporte da glicose e para
optimizar a absorção de fluidos: juntos, a glicose e o sódio
potenciam a sua absorção mútua e facilitam o transporte de água
para o interior das células intestinais, ao criar um maior
gradiente osmótico.
Sempre que o exercício físico
se prolongue durante mais de uma hora com intensidade moderada-alta
é necessário incluir hidratos de carbono na bebida.
2.- Ritmo e volume de ingestão da
bebida
A absorção de água e de nutrientes
produz-se essencialmente no intestino delgado. O ritmo de
esvaziamento gástrico e o de absorção intestinal são os factores
que determinam a velocidade de assimilação dos líquidos, pelo que
importa conhecê-los para saber que
bebidas consumir durante o exercício. Uma solução que demore
até ser evacuada ou que seja mal absorvida tem pouca utilidade para
o desportista e pode ser a causa de transtornos
gastrointestinais.
a.- Esvaziamento
gástrico
Em condições normais, o tempo que o
estômago demora para esvaziar 1 litro de líquido varia entre 1 a
1,5 horas. Existem vários factores que influenciam o esvaziamento
gástrico, como a osmolaridade, o conteúdo calórico, o volume da
solução, a temperatura ambiente, o estado de hidratação prévia, o
tipo de exercício, o stress, etc.
A partir da quantidade aproximada de
600 ml, quanto maior for o volume do conteúdo gástrico, mais rápido
será o seu esvaziamento. À medida que o volume for diminuindo, a
evacuação torna-se mais lenta, pelo que, para mantê-la num ritmo
adequado seja necessário repor as quantidades eliminadas através da
ingestão repetida de líquidos.
O calor, a hipohidratação e as
soluções muito concentradas (com mais de 10% de açúcar) atrasam o
esvaziamento gástrico.
b.- Absorção
intestinal
A absorção de hidratos de carbono,
água e electrólitos realiza-se nas primeiras porções do intestino
delgado (duodeno e jejuno). Calcula-se que as quantidades óptimas
de absorção intestinal por hora sejam de 600-800 ml para a água e
de aproximadamente 6 g para a glicose (um volume adequado seria
beber 750 ml de uma solução com 8% de hidratos de carbono. Quando
se ingerem quantidades superiores a um litro de líquido por hora,
os excedentes podem acumular-se no intestino delgado e no
cólon.
No momento de escolher o tipo
de bebida mais adequado para conseguir reidratação nos
desportistas, é preciso ter
em conta que cada indivíduo é um caso especial e que a água
diminui a osmolaridade, enquanto as
soluções com electrólitos tendem a manter o volume
plasmático.
3.- Sabor da bebida
Para conseguir uma hidratação correcta
é muito importante ter em conta as características da solução
(sabor, cheiro, temperatura…) uma vez que é fundamental que a
bebida seja apetecível. De forma geral são preferíveis bebidas
frescas com um sabor ligeiramente doce (6-8% de hidratos de
carbono).
A incorporação de sódio no
líquido melhora a palatabilidade (sabor agradável) e favorece a
retenção de líquidos.
Importa recordar que a sede não é um bom indicador para
realizar a reidratação completa, sendo necessário beber,
mesmo sem sentir sede. Neste
sentido, as bebidas com açúcares e electrólitos, pelo seu sabor
agradável, tendem a ser melhor aceites pelos
desportistas, sendo consumidas mais
facilmente do que apenas água.
Este documento destina-se
exclusivamente a profissionais de saúde e nutrição
Editado com a colaboração de:
Dra. Nieves Palacios Gil-Antuñano.
Chefe do Serviço de Medicina,
Endocrinologia e Nutrição do Centro de Medicina Desportiva.
Conselho Superior do Desporto. Madrid
Comentários