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O treino da força consome gordura de dois modos 10-04-2012

Treinar a força consome gordura de duas formas distintas

Artigo por: Rui M. Marques*

 

O treino de força (musculação) constitui-se como uma actividade efectivamente vigorosa e intensa, permitindo consumir um número de calorias tão elevado quanto o trabalho cardiovascular normal, isto é, cerca de 400 cal/min. O consumo calórico associado a este dispêndio energético para produção de trabalho muscular é o primeiro modo pelo qual a musculação promove o consumo de gorduras. Contudo, esta não é a sua principal virtude.

 

Na realidade, o treino de força ao promover um aumento da massa muscular faz, por consequência, aumentar o metabolismo basal, o que potencia o consumo de gorduras mesmo após a realização do exercício físico.

 

A velha ideia de que a musculação é uma actividade estritamente para homens possuidores de músculos enormes cada vez mais se revela descabida e falsa. Na verdade, qualquer pessoa, independentemente da sua idade, sexo ou qualquer outra variável, pode praticar esta modalidade e, consequentemente, retirar daí grandes benefícios, tanto aqueles que pretendem aumentar a massa muscular como os que desejam perder peso. Existe sempre o circuito de treino adequado a cada indivíduo e aos seus objectivos.

 

Por outro lado, as preocupações relativas a aumentos significativos de massa muscular que a generalidade das mulheres evidencia, revelam--se completamente infundadas, porquanto a  possibilidade de aumentarem substancialmente a quantidade de músculo é diminuta, basicamente devido ao facto de possuirem baixos níveis de testosterona, substância determinante neste processo. Além do mais, a capacidade de cada indivíduo em ganhar músculo está geneticamente determinada e largamente dependente do seu tipo corporal, pelo que só os indivíduos mesomorfos (tipo atlético) poderão ter receios quanto ao facto de, após 2 ou 3 anos de treino intenso e adequado ficarem "demasiadamente"  musculados. Os principais efeitos situam-se ao nível do aumento de força, tonicidade e rigidez musculares.

 

Deste modo, seria mais legítima a preocupação com a atrofia muscular (em detrimento da preocupação com o aumento de massa muscular - hipertrofia) provocada pelo pouca utilização do músculo. De facto, é fantástico como esssa atrofia ocorre mesmo em indivíduos activos. Não existe melhor prova do que verificar a diminuição de massa muscular de que são vítimas os indivíduos que sofrem lesões ao nível do joelho com imobilização do membro inferior, cuja recuperação passa naturalmente pela musculação no sentido de recuperar o volume muscular perdido, bem como a força e mobilidade articular.

 

Mesmo o treino aeróbico vigoroso, que é extremamente benéfico para o sistema cardiovascular, não possui as qualidades do treino de força na prevenção da atrofia dos músculos. Somente a musculação, com determinado tipo de especificidade, pode manter ou aumentar a percentagem de massa muscular no organismo.

Assim, resulta indiscutível a importância do treino de força como parte integrante de um programa de "fitness". Como vimos, a massa muscular que se ganha aumenta o metabolismo basal o que, por sua vez, possibilita um gasto calórico adicional, mesmo em situação de repouso. Para além de tudo isto, o desenvolvimento de músculos fortes e consistentes, acompanhado da redução de tecido adiposo, aumenta substancialmente os níveis de força, desenvolve a flexibilidade, melhora a aparência e potencia a auto-estima.

 

*Rui M. Marques é o especialista ZD em Fitness, Nutrição e Suplementação

(sabe mais sobre Rui.M.Marques na nossa secção de Sport Science/Especialistas)

 


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