Treinar a força consome gordura de duas formas
distintas
Artigo por: Rui M. Marques*
O treino de força (musculação) constitui-se como uma actividade
efectivamente vigorosa e intensa, permitindo consumir um número de
calorias tão elevado quanto o trabalho cardiovascular normal, isto
é, cerca de 400 cal/min. O consumo calórico associado a
este dispêndio energético para produção de trabalho muscular é o
primeiro modo pelo qual a musculação promove o consumo de
gorduras. Contudo, esta não é a sua principal virtude.
Na realidade, o treino de força ao promover um aumento
da massa muscular faz, por consequência, aumentar o metabolismo
basal, o que potencia o consumo de gorduras mesmo após a realização
do exercício físico.
A velha ideia de que a musculação é uma actividade estritamente
para homens possuidores de músculos enormes cada vez mais se revela
descabida e falsa. Na verdade, qualquer pessoa, independentemente
da sua idade, sexo ou qualquer outra variável, pode praticar esta
modalidade e, consequentemente, retirar daí grandes benefícios,
tanto aqueles que pretendem aumentar a massa muscular como os que
desejam perder peso. Existe sempre o circuito de treino
adequado a cada indivíduo e aos seus objectivos.
Por outro lado, as preocupações relativas a aumentos
significativos de massa muscular que a generalidade das mulheres
evidencia, revelam--se completamente infundadas, porquanto a
possibilidade de aumentarem substancialmente a quantidade de
músculo é diminuta, basicamente devido ao facto de possuirem baixos
níveis de testosterona, substância determinante neste processo.
Além do mais, a capacidade de cada indivíduo em ganhar músculo está
geneticamente determinada e largamente dependente do seu tipo
corporal, pelo que só os indivíduos mesomorfos (tipo atlético)
poderão ter receios quanto ao facto de, após 2 ou 3 anos de treino
intenso e adequado ficarem "demasiadamente" musculados.
Os principais efeitos situam-se ao nível do aumento de
força, tonicidade e rigidez musculares.
Deste modo, seria mais legítima a preocupação com a atrofia
muscular (em detrimento da preocupação com o aumento de massa
muscular - hipertrofia) provocada pelo pouca utilização do músculo.
De facto, é fantástico como esssa atrofia ocorre mesmo em
indivíduos activos. Não existe melhor prova do que verificar a
diminuição de massa muscular de que são vítimas os indivíduos que
sofrem lesões ao nível do joelho com imobilização do membro
inferior, cuja recuperação passa naturalmente pela musculação no
sentido de recuperar o volume muscular perdido, bem como a força e
mobilidade articular.
Mesmo o treino aeróbico vigoroso, que é extremamente benéfico
para o sistema cardiovascular, não possui as qualidades do treino
de força na prevenção da atrofia dos músculos. Somente a
musculação, com determinado tipo de especificidade, pode manter ou
aumentar a percentagem de massa muscular no organismo.
Assim, resulta indiscutível a importância do treino de força
como parte integrante de um programa de "fitness". Como vimos,
a massa muscular que se ganha aumenta o metabolismo basal o
que, por sua vez, possibilita um gasto calórico adicional, mesmo em
situação de repouso. Para além de tudo isto, o
desenvolvimento de músculos fortes e consistentes, acompanhado da
redução de tecido adiposo, aumenta substancialmente os níveis de
força, desenvolve a flexibilidade, melhora a aparência e potencia a
auto-estima.
*Rui M. Marques é o especialista ZD em Fitness, Nutrição e
Suplementação
(sabe mais sobre Rui.M.Marques na nossa secção de Sport
Science/Especialistas)
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